quinta-feira, 3 de maio de 2012

Fortaleza é a que mais concentra hospedagens


Para o IBGE, 76,5% dos estabelecimentos da RMF, com o fim de hospedar, estão na Capital alencarina

Em Recife (PE), mais da metade da rede hoteleira está fora da capital e se espalha por outras cidades da região metropolitanas
FOTO: DIVULGAÇÃO



A Capital cearense é a metrópole brasileira onde há a maior concentração de estabelecimentos de hospedagem. Dos 366 locais existentes para essa finalidade na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), 280 estão localizados dentro da Cidade alencarina, o equivalente a 76,5%. São Paulo e Rio de Janeiro vem logo em seguida, com 73,5% e 70,4%, respectivamente.

Os 86 estabelecimentos restantes da RMF, segundo o levantamento, estão espalhados pelos municípios de Caucaia (31), Aquiraz (18), São Gonçalo do Amarante (12), Cascavel (11), Maracanaú (5), Horizonte (2), Maranguape (2), Pacatuba (2), Chorozinho (1), Pindoretama (1), e Pacajus (1). A pesquisa do IBGE não identificou pontos de hospedagem em Itaitinga, Guaiuba e Eusébio.

Os dados foram divulgados, ontem, durante apresentação da Pesquisa de Serviços de Hospedagem 2011, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Resultado normal

Na opinião do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Ceará (ABIH-CE), Régis Medeiros, é natural que haja concentração hoteleira e de outros tipos de estabelecimentos destinados à hospedagem nas capitais. De acordo com o representante da ABIH-CE, basicamente dois fatores explicam esse fenômeno.

Primeiramente, o destaque econômico próprio das metrópoles. Em segundo lugar, a localização dos principais atrativos turísticos que, na maior parte das vezes, ficam próximos dos maiores centro urbanos ou neles próprios. "Fortaleza tem a maior economia do Estado, possui ou fica perto dos pontos turísticos mais visitados, tem movimentação, boa gastronomia e animação", justifica.

Impulso industrial

Régis Medeiros lembrou que o fato da Capital alencarina ter sido considerada a Cidade de maior concentração do País em estabelecimentos de hospedagem pode ser modificado com o passar do tempo, especialmente, com a chegada dos investimentos no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp).

"Veja o exemplo de Pernambuco. Lá, houve uma nítida mudança após a chegada dos empreendimentos. O mesmo deverá ocorrer no Pecém, quando se instalarem refinaria e siderúrgica. Não tenha dúvida disso. Mas vai levar algum tempo. Já existe até um projeto de hotel para lá", declarou Régis.

Conforme o IBGE, Recife foi considerada a capital de menor concentração, com índice de apenas 43,3%, ou seja, 161 estabelecimentos. O município de Ipojuca, localizado na Região Metropolitana da maior cidade pernambucana cravou 94 locais para se hospedar. Uma prova da desconcentração ocorrida, principalmente, em virtude da proximidade do Porto de Suape, que tem estimulado o desenvolvimento de localidades vizinhas.

Hotelaria será gargalo na Copa

Rio. A hospedagem será o grande gargalo que o Brasil enfrentará na Copa do Mundo. As 12 cidades-sede têm capacidade para hospedar 416.147 visitantes e, somadas as Regiões Metropolitanas, serão 567.195 hóspedes atendidos, segundo a pesquisa do IBGE. É pouco. A estimativa do Ministério do Turismo é de que 600 mil estrangeiros viajem para o País e 3 milhões de brasileiros se desloquem internamente durante o Mundial.

O Sudeste concentra 40% da capacidade total de hóspedes, com 298.512 vagas. A Grande São Paulo tem o maior número de estabelecimentos: 1323

Recife

O contraponto é Recife. Mais da metade da rede hoteleira está fora da capital e se espalha por outras cidades da região metropolitana (56,7%). "O objetivo da pesquisa é fornecer subsídios para que as autoridades avaliem se essa capacidade está de acordo com o número previsto de ingresso de turistas para esses grandes eventos", afirmou Roberto da Cruz Saldanha, responsável pela pesquisa do IBGE.

Perfil

O Ministério do Turismo já traçou o perfil do turista que vem à Copa, a partir de pesquisa feita durante o Mundial da África do Sul - são homens (83%), com ensino superior (86%) e renda média mensal de R$ 23,4 mil. Mas esse público terá de se acostumar com hospedagens mais modestas ou alternativas. O levantamento do IBGE mostrou que somente 12,6% dos estabelecimentos das Regiões Metropolitanas são considerados de luxo ou superior/muito confortável (939). Em São Paulo figura a maioria desses empreendimentos: 174. O Grande Rio tem a maior proporção de hospedagem de luxo do País (18,2%).

Novos quartos

O perfil da hotelaria ainda vai mudar até o início dos eventos esportivos. Só no Rio serão construídos 5,2 mil quartos até a Copa e outros 4,8 mil para os Jogos Olímpicos. "(Esses eventos) devem permitir a construção de uma hotelaria de alto nível, mas que seja sustentável. Não se deve construir hotel de maneira exacerbada sem o devido cuidado, se esse projeto não tiver uma perenidade futura", disse Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (Fbha).

Capacidade

567 mil hóspedes é a capacidade da rede hoteleira das 12 cidades-sede da Copa do Mundo. Mas a previsão é que cheguem ao País 600 mil turistas

ILO SANTIAGO JR.
REPÓRTER

Negócios
Diário do Nordeste
NO BRASIL
Fortaleza é a que mais concentra hospedagens
26.04.2012

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