terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Produção de calçados deve aumentar 10% neste ano

NO CARIRI

Mesmo com queda nas exportações de 9% em 2012, o Ceará conseguiu aumentar em 7,5% os pares embarcados



O Ceará exportou mais da metade de pares de calçados que o Rio Grande do Sul, líder nas vendas. O 1º lugar fechou 2012 com US$ 385 milhões e o Estado, que ficou em 2º lugar, teve faturamento de US$ 319 milhões FOTO: SILVANA TARELHO


Se o ano passado resultou em declínio para o setor de calçados em todo o País, o Ceará conseguiu se manter sem crescimentos, porém, sem perdas. Para este ano, na região do Cariri - que concentra um dos polos industriais do Estado - a projeção é de aumento de 10% no faturamento, de acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados e Vestuário de Juazeiro do Norte e Região (Sindindústria), Antônio Mendonça. A expectativa é fechar 2013 com uma produção de 100 milhões pares de calçados.

Segundo dados do Sindindústria, as 250 empresas da região fecharam 2012 com 96 milhões de pares produzidos e com 16 mil funcionários empregados. "O ano foi difícil para o setor de modo geral, principalmente para as exportações. Mas, na região, temos nos mantido. Para 2013, começamos dando continuidade ao projeto de inovação, com busca de informação", comenta Mendonça.

Projeção local

De acordo com ele, no ano passado houve melhoria do produto, estabilidade no mercado cearense e projeção da produção local. "Não é um crescimento palpável, mas, para mim, é um crescimento na questão de fixar melhor as marcas", analisa o presidente. A ideia, destaca Mendonça, é buscar inovação para se manter no mercado no intuito de se tornar mais competitivo e vender para todo o Brasil.

"Os pequenos e médios produtores vêm trabalhando em busca de diferencial - um produto que se identifique mais com a necessidade do consumidor local", diz. Dentre os maiores consumidores dos produtos da região do Cariri estão os estados do Nordeste e São Paulo, este último representa 20% das vendas. As exportações, segundo ele, ficam por conta das grandes indústrias instaladas no Ceará.

Exportações

O Brasil teve movimento de queda nas exportações no ano passado, com decréscimo de 15,7%, o pior resultado em 25 anos, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados). "No Ceará, a queda foi de 9%, mas houve crescimento de 7,5% nos pares embarcados, podendo ser entendida como a redução do valor médio do calçado embarcado pelo Estado", comenta o diretor-executivo da Abicalçados, Heiton Klein.

Klein explica que isso ocorreu devido à desvalorização da moeda nacional. Apesar de ter aumentado o volume das vendas e ter comercializado com preços menores, ele ressalta que o movimento não significa perda de rentabilidade - já que é possível angariar com essa desvalorização da moeda ao mesmo tempo que se transfere o benefício para o comprador. O valor médio do par comercializado no Ceará, em 2011, foi de R$ 7,79, passado para R$ 6,60 em 2012.

O diretor-executivo também comenta que a indústria cearense tem apresentado um "comportamento interessante" na produção nacional e nas exportações, com liderança em alguns meses do ano passado.

"No total do ano, é um dos estados mais importantes em volume de negócios, com 45 milhões de pares exportados em 2011 e 48 milhões de pares em 2012. A liderança é em termos físicos pelas características do produto, que acaba não sendo líder em termos monetários", analisa o diretor-executivo. O Ceará exportou mais da metade de pares de calçados que o Rio Grande do Sul, líder nas vendas. O primeiro lugar fechou ano passado com US$ 385 milhões e valor médio do par de R$ 24,97. Enquanto isso, o Ceará, que ficou em segundo lugar, teve faturamento de US$ 319 milhões.

Com relação às exportações para a Argentina, cuja entrada de calçados brasileiros esteve barrada desde 2011, Klein ressalta que a questão foi parcialmente contornada. "Em outubro e novembro (do ano passado), a Argentina liderou grande volume de exportação e os embarques foram quase normalizados. Agora, em fevereiro, vamos ter concentração maior de entrega para a temporada outono e inverno. Se não for verificada a mesma agilidade, vamos procurar o governo para solicitar adoção de medidas", afirma.

América Latina

Dentre os países que têm se mostrado as maiores apostas para o mercado brasileiro estão a França, cujo crescimento nos embarques de pares foi de 15,8% em 2012. "Além disso, estamos observando os países da América Latina, especialmente Bolívia, Colômbia e Peru, que estão movimentando interesse pelo produto". Já a Argentina, segundo Klein, não se apresenta como uma mercado tão promissor para o produto brasileiro. "Acredito que, embora se tenha expectativa, o produto continuará excedendo pela deterioração da economia, a queda no consumo e a diminuição das compras", diz.

Mercado interno

Com a queda nas exportações e o natural aumento da oferta interna, a disputa no mercado ficou mais acirrada. "Tivemos crescimento no consumo de calçados na ordem de 5%, mas não favoreceu as indústrias do Brasil, porque a importação teve crescimento notável", afirma o diretor-executivo. Isso porque, destaca, as importações cresceram 24% em valor e 14% em quantidade no ano passado.

Para conter uma possível concorrência desleal, sobretudo dos produtos asiáticos, ele diz que a indústria nacional está buscando soluções junto ao governo federal.

"O trabalho é no sentido de colocar freio nas altas cargas comerciais e na concorrência que não tem condições de combater", lamenta Klein.

Fonte: Diário do Nordeste - Negócios

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