domingo, 17 de fevereiro de 2013

Aumentar a renda será desafio para municípios


INDICADORES ECONÔMICOS E SOCIAIS

Mais do que elevar o Produto Interno Bruto, é esperado o consequente desenvolvimento da região

Atualmente, o principal responsável pela geração de riquezas no complexo industrial ainda é o Terminal Portuário do Pecém FOTO: ALEX COSTA
Que as indústrias de base e toda a cadeia produtiva que estas irão atrair para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) irão contribuir sobremaneira para alavancar a economia cearense, isso é inquestionável. Entretanto, mais do que o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas produzidas, é esperado o desenvolvimento da região, com a melhoria da infraestrutura das cidades e dos indicadores sociais. E estes são grandes desafios a serem enfrentados pelos municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia.

Entre estes desafios, está o acréscimo da renda da população destas duas cidades. Caucaia, o segundo município mais populoso do Estado, com mais de 325 mil habitantes, possuía, em 2010, um rendimento nominal médio per capita de apenas R$ 441,04 mensais, entre os domicílios particulares permanentes. Os dados são do último Censo do IBGE. O valor, portanto, era ainda inferior ao salário mínimo que, à época, estava fixado em R$ 510. Entre os domicílios da área urbana, o valor era de R$ 458,15, enquanto que os rurais ficavam em apenas R$ 290,87.

Ao todo, de acordo com o Censo 2010, Caucaia conta com 89,1 mil domicílios particulares permanentes, dos quais, 19,1 mil, o equivalente a 21,4%, possuíam rendimento mensal domiciliar (isto é, somando os proventos de todos os integrantes da família) até um salário mínimo. Destes, 4,2 mil possuíam renda de até meio mínimo. Na outra ponta, 499 domicílios possuíam rendimento nominal mensal superior a 20 salário mínimos.

O Município encontra forte vocação empresarial no ramo de alojamento e alimentação e tem sua economia, em maior parte, sendo desenvolvida na área de serviços, seguido da indústria e da agropecuária, segundo aponta estudo realizado pela a Associação Técnico-Científica Eng° Paulo de Frontin (Astef) - entidade jurídica de direito privado, vinculada ao Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) - e que compõe o Relatório de Impacto Ambiental da refinaria Premium II.

"Na indústria de transformação, se destaca a de produtos alimentares, enquanto que no comércio varejista se evidenciam os ramos de tecido, vestuário, artigos de armarinho e material de construção", aponta o estudo feito a pedido da Petrobras.

Com a intensificação da chegada de indústrias, e em especial com a implantação da refinaria, deverá haver uma alteração nesse quadro, com a indústrias ganhando maior importância.

São Gonçalo

Já São Gonçalo do Amarante possui população bem menor, de 43,8 mil habitantes em 2010. Entretanto, dos 12 mil domicílios particulares permanentes, 3.728, ou 31%, possuíam rendimento nominal mensal de até um salário mínimo em 2010, conforme o IBGE.

O rendimento nominal mensal per capita do Município era ainda menor que o de Caucaia, ficando em R$ 361,92 mensais. Por outro lado, não há diferença tão significativa entre a média urbana e a mensal, que ficam em R$ 387,31 e R$ 313,75, respectivamente.

Em 2010, o PIB de São Gonçalo era de R$ 1,1 bilhão, o sétimo maior do Estado. O principal responsável pela geração de riquezas por lá é exatamente o Terminal Portuário do Pecém, motor do complexo industrial.

A instalação da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), entre outros empreendimentos deverá consolidar o setor industrial como o principal gerador de riquezas por lá.

Suape pode ser exemplo para Pecém

A construção de uma unidade de refino, no caso a Premium II, a exemplo da Abreu e Lima (PE), deverá atrair mais indústrias para o Cipp FOTO: RODRIGO CARVALHO

Imagine um universo de 43 mil pessoas, o equivalente a toda a população de São Gonçalo do Amarante, "batendo ponto", diariamente, em uma mesma empresa. Parece um tanto improvável, mas é esta a realidade hoje na Refinaria Abreu e Lima, em construção pela Petrobras no Complexo Industrial de Suape, localizado no município pernambucano de Ipojuca, a 44 quilômetros de Recife. Um cenário que, todavia, não está tão distante de se configurar no Ceará.

Suape pode ser analisado como uma projeção do que poderá vir a ser o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) daqui a alguns anos. Hoje, o complexo pernambucano já possui mais de 100 empresas em operação e outras 50 em implantação. O de Pecém ainda tem um longo caminho a percorrer: são oito operando e outras oito em instalação. Contudo, a confirmação dos chamados empreendimentos estruturantes, a exemplo da refinaria cearense e da siderúrgica, traz a garantia de que novos grandes projetos deverão aportar na região.

A refinaria Premium II terá uma capacidade de produção ainda maior que a de Pernambuco, contudo deverá envolver uma quantia menor de recursos na implantação e mobilizar uma massa menor de trabalhadores.

A unidade pernambucana é apontada como um exemplo a não ser seguido, em virtude dos atrasos e dos acréscimos no orçamento. A Premium II deverá gerar cerca de 90 mil empregos, entre diretos, indiretos e por efeito renda. No pico da obra, haverão 20 mil pessoas envolvidas na implantação, de acordo com previsões da Petrobras.

Já a Companhia Siderúrgica de Pecém (CSP), que já está entrando em uma segunda fase nas obras de instalação da usina, espera contratar oito mil pessoas somente neste ano.

Os trabalhadores estarão envolvidos, agora, nas obras civis das principais instalações da planta, como alto-forno, produção de aço e lingotamento. No pico da obra, previsto para 2014, entre 15 mil e 17 mil pessoas devem trabalhar na instalação da siderúrgica.

Pessoal especializado

A partir deste ano, a CSP contratará mais mão de obra especializada, com níveis técnico e superior. Entre os profissionais a serem procurados, estão engenheiros, geógrafos, psicólogos, assistentes sociais, técnicos em edificação, mecânica, meio ambiente, além de carpinteiros, pedreiros, armadores, pintores, assistentes administrativos, entre outros. A maior parte dessas vagas deverá ser contratada entre profissionais locais.

Atualmente, de acordo com dados da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), existem 1.544 trabalhadores nas empresas já instaladas e em operação no Cipp. (SS)

Fonte: Diário do Nordeste

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