domingo, 17 de fevereiro de 2013

Ex-pescador evoluiu com o Complexo


CHANCES APROVEITADAS

Adaptação às oportunidades criadas foi fundamental para o crescimento profissional

O operador de guindaste Luiz Martins, de 33 anos, sustenta a família com a remuneração que obtém no Porto do Pecém. Hoje, o estudo dos seus filhos é uma de suas maiores preocupações FOTO: ALEX COSTA

Natural do Pecém, Luiz Martins, de 33 anos, criou, ainda criança, intimidade com o mar. Seguindo os passos do pai e de boa parte dos moradores da antiga vila, tornou-se pescador ainda adolescente. O cenário ao qual já estava tão acostumado a cruzar com sua jangada começou a mudar com o início construção do Porto do Pecém. Da mesma forma, sua rotina também começou a se transformar.

Mesmo ainda se dedicando à pesca, Luiz passou a atuar na construção do porto, como forma de obter uma renda extra. À época, a pesca era ainda uma atividade mais lucrativa. Quando o porto entrou em operação, foi um dos trabalhadores que acompanhou o atracamento do primeiro navio.

Dupla jornada

Conciliando ainda as duas atividades, passou a trabalhar como capataz em uma das operadoras, auxiliando no descarregamento e deslocamento de cargas. Com a nova atividade que acumulou, ganhava um salário mínimo, que, naquele período, era de R$ 200.

Em um momento no qual o porto ainda principiava a operação, conta, todo o trabalho era feito de forma muito mais braçal, em comparação com o cenário atual. "Tinha dias que tinha 800 sacas (cada uma pesando 50 quilos) para quatro homens carregarem".

Sempre com o mar

Com o passar dos anos, trocou de empresa e de função, passando a ganhar cada vez mais. Em pouco tempo, deixou a pesca, já que o porto demandava muito trabalho e já lhe proporcionava mais renda. De todo modo, continuou tendo o mar como "colega de trabalho", permanecendo sempre no porto.

Após passar por diferentes empresas e fazer diversos cursos, Luiz trabalha hoje como operador de guindaste, uma das profissões mais desejadas, por conta da remuneração - em torno de R$ 4 mil, podendo ser maior com as horas extras.

Fonte de renda

É com a renda obtida no porto que Luiz sustenta a família, em uma casa no centro do Pecém. "Aqui, antigamente, era só mato", relata, referindo-se à rua hoje repleta de casas. Além da mulher e dos dois filhos, ajuda a cuidar do sogro, que recentemente teve de amputar as duas pernas e hoje vive com o casal. "É mais uma pessoa que a gente pode ajudar".

Futuro dos filhos

Uma das preocupações do operador, que hoje ganha cerca de 20 vezes mais do que costumava receber há onze anos, é que os filhos se dediquem sempre aos estudos, para terem uma rotina ainda melhor. "Hoje, eu ganho melhor, mas também trabalho de madrugada, poderia ter mais qualidade de vida". (JM)

Capacitação está sendo ampliada

Focado nas demandas atuais e urgentes das indústrias do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/CE), entidade do Sistema Fiec, irá iniciar já em fevereiro as atividades do seu Centro de Formação Profissional (CFP), que está em fase final de reforma do prédio, localizado em São Gonçalo do Amarante. A expectativa é de treinar, somente este ano, 1.300 trabalhadores.

Os cursos serão realizados por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do governo federal. Serão oferecidas formação em soldagem, caldeiraria, serralheria de alumínio, pedreiro, armador de ferro, pintor e carpinteiro de obra, bombeiro hidráulico, eletricidade predial e assistente administrativo.

De acordo com o responsável pelo CFT, Raimundo Façanha, serão 1.140 vagas nos cursos de qualificação profissional. Também haverá 160 postos para cursos de formação de jovens aprendizes. Os cursos são gratuitos. Informações na prefeitura de São Gonçalo do Amarante.

O CFT funcionará em um prédio cedido pela prefeitura municipal em forma de comodato por dois anos, prorrogáveis por mais dois. Segundo Façanha, esta foi a estratégia tomada para garantir o adiantamento da presença do Senai no complexo. O empreendimento está estimado entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões. A expectativa é de que as obras sejam iniciadas ainda este ano, e que esteja em funcionamento em 2014. "Com o novo prédio, também serão criados novos cursos. A ideia é que estejamos sempre alinhados com a demanda do mercado", reforça.

CTTC

Segundo a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, a inauguração do Centro de Treinamento Técnico do Ceará (CTTC) - outro equipamento voltado para capacitação - está prevista para maio. Serão oferecidas formação inicial e continuada em áreas como construção civil, petroquímica, eletromecânica. A quantidade de alunos atenderá à demanda. Estima-se que sejam capacitadas 14 mil pessoas/ano.

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