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terça-feira, 12 de março de 2013

Setor eólico quer focar mais em indústrias que em novos parques

CADEIA PRODUTIVA NO CEARÁ

O objetivo é gerar mais emprego e renda com fábricas de produção de equipamentos para o segmento


Para especialistas, o Ceará está entrando agora em uma nova fase para o setor de energia dos ventos, com as unidades fabris se deslocando para cá Foto: Kid Júnior


Com 19 parques eólicos em operação, totalizando uma potência instalada de 588,8 megawatts (MW), o Ceará ainda se mantém na liderança da produção de energia dos ventos no Brasil. Outros 12 empreendimentos ainda em construção deverão acrescentar mais 311,2 MW à geração elétrica no Estado. Contudo, mais que criar novos parques eólicos, o setor agora quer garantir a vinda de fábricas de equipamentos eólicos, completando a cadeia produtiva no Ceará e gerando mais emprego e renda.

"A estratégia é trazer desenvolvimento. Não basta gerar energia, é preciso trazer a cadeia produtiva da energia eólica. Tem que, com isso, gerar renda, empregos, uma cadeia de valor", analisa o presidente da Câmara Setorial de Energia Eólica do Ceará, Adão Linhares.

Segundo ele, o mercado para este tipo de energia está favorável no Brasil, com os preços cada vez mais baratos, em contraponto com o que se observa nas fontes hidrelétrica e termelétrica.

O presidente destaca que o Ceará é o estado pioneiro na estratégia política a favor da energia eólica, e que agora o Estado vive uma nova etapa. "Primeiro, foi mostrar que tinha vento. Depois, que se podia gerar energia e dinheiro com isso. Agora, estamos no desenvolvimento de toda essa cadeia", reforça.

Esta e outras questões relacionadas ao mercado de energia eólica serão discutidas a partir de hoje na sétima edição do All About Energy, o maior evento sobre energias renováveis da America Latina. O evento se estende até quarta-feira (13), no Centro de Eventos do Ceará (CEC). Além do setor eólico, o evento tratará de outras fontes renováveis de energia, como a solar, a biomassa, biocombustíveis e hidroelétricas.

Fábricas

Desde 2002, o Estado sedia uma fábrica de componentes. A Wobben inaugurou, naquele ano, uma unidade de fabricação de pás para torres eólicas, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), sendo a primeira indústria a se instalar no local. Por vários anos, ela foi a única. Ano passado, entretanto, duas novas usinas entraram em operação. A indiana Suzlon inaugurou, em junho, sua fábrica em Maracanaú, onde produz painéis elétricos e eletrônicos e uma linha de montagem de hubs (que são a parte frontal das turbinas eólicas). O investimento foi de R$ 2 milhões. A empresa já afirmou que pretende continuar investindo para ampliar o conteúdo local com a produção de equipamentos, e anunciou um orçamento de US$ 20 milhões para 2013.

A Aeris Energy também entrou em operação com sua unidade no Cipp no ano passado, após um investimento de cerca R$ 50 milhões, em parceria com a Suzlon. Na planta, estão sendo produzidas pás para aerogeradores.

Projetos

Já para este ano, espera-se que seja inaugurada a unidade da alemã Fuhrländer, no Cipp. Ela será a primeira fábrica de aerogeradores do Ceará, item de maior tecnologia agregada dos equipamentos de energia eólica. A planta está prevista para este semestre, através de um investimento orçado em R$ 15 milhões, que poderá ser expandido em mais R$ 30 milhões, com a ampliação cogitada da fábrica.

Produção energética

A energia eólica responde, hoje, por 32% da energia produzida no Ceará. A maior parte da produção energética no Estado provém da matriz termelétrica, com 1,2 gigawatt (GW), que representa 67,5% do total. O avanço da produção no Estado tem se dado mais intensamente nesta última matriz. Entre os empreendimentos em construção, 12 são de fonte eólica, com capacidade de geração de 311,2 MW. Enquanto isso, a única usina térmica em construção, a Pecém II, no Cipp, gerará 360 MW.

Com menos parques vencedores nos últimos leilões, o Ceará deverá, em breve, perder o posto de maior gerador eólico do Brasil para o Rio Grande do Norte. Por lá, há 365,1 MW instalados, e outros 1,14 GW em instalação, o que somará 1,5 GW. Desta forma, superará os 900 MW que o Ceará terá de capacidade, quando os novos parques estiverem instalados.

Apesar de estar avançando nos empreendimentos de geração energética, o Ceará ainda participa com apenas 1,49% da capacidade instalada brasileira.

Fonte: Diário do Nordeste - Negócios

CDC busca ampliar negócios em feira

PORTO DO MUCURIPE

Somente em 2012, foram movimentadas 43.142 toneladas de equipamentos eólicos do Porto de Fortaleza, 30% a mais que em 2011 Foto: Kid Júnior

A Companhia Docas do Ceará (CDC), empresa administradora do Porto de Fortaleza, irá buscar oportunidades de novos negócios com empresas do setor energético, especialmente do segmento eólico, durante o All About Energy. Será a primeira vez que a empresa participará do evento.

"O cenário atual de energias renováveis traduz oportunidades para a CDC, uma vez que estes equipamentos, para chegarem a sua origem, que são os parques eólicos localizados na região Nordeste, contam com mais de uma modalidade de transporte, tendo como principal o marítimo. Lá vamos encontrar os principais representantes do mercado e teremos a oportunidade de divulgar nosso novo pátio pavimentado de 40 mil metros quadrados", explica Mário Jorge Cavalcanti, diretor de Infraestrutura e Gestão Portuária da CDC.

Nos últimos dois anos, os equipamentos eólicos tiveram destaque na pauta de movimentação do Porto do Mucuripe. Somente no ano passado, foram movimentadas 43.142 toneladas frente a 33.149 toneladas movimentadas em 2011, representando um incremento de 30%.

De acordo com a assessoria de imprensa da CDC, os principais clientes do terminal marítimo, no momento, são a Alstom Grid, Suzlon, Vestas, Siemens e General Eletric.

O porto dispõe, aos clientes de equipamentos eólicos, de pátio pavimentado de 131 mil m² (alfandegado) e pátios privados localizados na retroárea do terminal. Por razão da conclusão da obra do Novo Terminal Marítimo de Passageiros, espera-se que, até o fim do ano, essa capacidade de armazenamento seja ampliada em 30%. O empreendimento compreende a construção de um novo cais de atracação com 350 metros de extensão e 13 metros de profundidade, uma nova estação de passageiros e um pátio pavimentado de 40 mil m². "No período de baixa estação turística, que compreende os meses de maio a setembro, o terminal poderá receber navios com carga conteneirizada e carga de projeto", esclarece Mário Jorge.

All About Energy


A abertura da feira de exposições ocorru às 19h de ontem(11/03), no Centro de Eventos do Ceará (CEC). Os painéis e mesas redondas iniciam hoje, terça-feira, a partir das 9h30. O evento é co-realizado pelo Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra) e da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece).

Fonte: Diário do Nordeste - Negócios

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Ceará terá 209% a mais de potência eólica até 2016


50 PARQUES PREVISTOS

Capacidade de geração de energia por meio dos ventos chegará a 1,82GW, superior à demanda do Estado

Cada vez mais consolidado como um dos protagonistas do setor de energia eólica no País - ao lado de Bahia, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul - o Ceará se prepara para, nos próximos três anos, aumentar em cerca de 209% a sua capacidade de geração de luz elétrica por meio dos ventos.

Atualmente, o Estado possui 19 parques eólicos em operação, com uma potência total estimada em 588,8 MW, o que corresponde a 32% da capacidade de geração de todas as energias do Ceará FOTO: MELQUÍADES JÚNIOR

Isso significa que, em 2016, o Estado deverá ter, em operação, uma potência total de 1,82 GW, resultado da soma entre os atuais 588,8 MW e mais 1,23 GW que estão por vir, através de 19 parques eólicos que estão em construção e outros 31 que ainda não tiveram suas obras iniciadas (mas já foram contratados), totalizando 50 empreendimentos previstos, de acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

A estimativa é de que 19 destes 50 iniciem suas atividades ainda 2013, 19 em 2014 , 11 em 2015 e apenas um em 2016.

Entre os municípios que receberão as obras, quase todos litorâneos, destacam-se Trairi, com 11 deles (256,4 MW), e Tianguá, com sete (210 MW).

Segundo informações da Abeeólica, os parques eólicos que estão em construção no Ceará representam 17,46% do total de parques que está sendo construído no País. Já os parques eólicos que foram contratados para o Estado correspondem a 27,29% do total contratado em todo o Brasil.

Representatividade

Quando tudo estiver pronto e funcionando, os ventos cearenses serão donos de uma potência bem superior à demanda média de energia elétrica de todo Estado em horários de pico, que, durante o ano passado, ficou registrada em 1,117 GW/h, segundo dados da Companhia Energética do Ceará (Coelce).

É importante esclarecer que isso não quer dizer que a potência eólica de 1,82 GW prevista para 2016 conseguiria, sozinha, abastecer o Estado, pois, em média, os parques produzem 40% da sua capacidade.

Atualmente, com 19 parques em operação, a eólica do Ceará corresponde 32% de toda a capacidade de geração de energia do Estado e a 38% desse tipo de energia no País.

Domicílios

Levando em conta essa produção média de 40%, os 1,23 GW prometidos até 2016 seriam capazes de abastecer quase três milhões de domicílios que consomem cerca de 120 kW/h (a média para uma residência com uma sala, três quartos, dois banheiros e uma família formada por cinco pessoas). A mesma equação aponta que a soma do que o que está em operação com o que vem por aí abasteceria aproximadamente 4,3 milhões de imóveis do mesmo estilo.

Vantagens

Diante do drama de distribuição de energia elétrica que o País tem vivido, pautado principalmente pelo medo de um novo apagão e da possibilidade de um racionamento, as renováveis entram em cena, ganhando força nas discussões entre especialistas da área.

Os motivos são dois: os reservatórios de água permanecem em baixos níveis, e as termelétricas, que funcionam como um plano B, operam em capacidade máxima, demandando altos custos.

Diante desta situação, o presidente da Câmara Setorial de Energia Eólica do Ceará, Adão Linhares, reforça que o setor tem se mostrado como uma sólida alternativa na matriz energética brasileira. "Apesar das termelétricas serem uma alternativa mais prática em época de poucas chuvas, já que são usinas movidas a combustível, a energia eólica funciona muito melhor de maneira complementar, pois, quando os recursos hídricos são baixos, há mais vento, e vice-versa. Além disso, é uma energia barata e limpa, ao contrário das termelétricas", defende.

Linhas atrasadas

O principal gargalo no setor tem sido a demora na instalação de linhas de transmissão em 50 empreendimentos no Brasil, oito deles no Ceará. A presidente da Abeeólica, Élbia Melo, aponta três motivos para os atrasos, todos resultado, segundo ela, de segmento ainda "inexperiente" no País. "Em primeiro lugar, houve um descompasso, porque a licitação, para quem faz essas instalações, vem ocorrendo um ano depois dos leilões dos parques. Em segundo lugar, previa-se que essas obras terminassem em dois anos, mas, depois, viu-se que eram necessários três anos. E em terceiro lugar, tem havido um pouco de despreparo por conta das empresas gestoras dos parques", afirma.

As linhas de transmissão são de responsabilidade da Companhia Hidrelétrica de São Francisco (Chesf), que, em entrevistas, vem alegando atrasos na liberação de licenças ambientais.

Novos leilões

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) planeja realizar, até 2022, mais dois leilões de energia nova A-5 (que contrata energia para começar a ser entregue em cinco anos), uma rodada A-3 (para energia que inicia a entrega em três anos) e um leilão de energia de reserva. Antes disso, as regras de contratação devem ser alteradas para que os mesmos erros não se repitam.

Importância

"A eólica funciona melhor de forma complementar, pois quando os recursos hídricos são baixos, há mais ventos e vice-versa".

Adão Linhares
Presidente da Câmara Setorial do Ceará

"As linhas de transmissão estão atrasando por fatores que mostram a inexperiência de um setor ainda novo no País".

Élbia Melo
Presidente da Abeeólica


Fonte: Diário do Nordeste

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